Sebo

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Guia de Sebos

O nome “sebo” vem exatamente do que o leitor pode estar pensando. Substância gordurosa, e está diretamente ligada à resina utilizada na fabricação velas. Única forma de conseguir luminosidade para leitura, à noite, antes da invenção da Luz Elétrica.

Não havia eletricidade

Imagine-se num período em que não havia luz elétrica mas você, ávido leitor precisava da sua leitura até altas horas. Então você acendia uma vela, mas elas não eram feita da atual parafina e sim de gordura de animais. Um exemplo é a feita de baleia. A atenção à leitura permitia sujar os livros, esses blocos de papel encadernados ficavam ensebados. Essa é uma possibilidade já que os sebos são livrarias que vendem livros de segunda mão.

Outras possibilidades

Outras possibilidades também plausíveis:

Um livro tão lido e passado de mão e mão.

Os anos o deixa com várias marcas de mãos do que o manuseou, acabou ensebado e foi parar numa loja cheia de livros.

Mas também tem os muitos manuseados por diversas mãos, o Sebo, então ficou sendo o nome desse tipo de livraria .

Outras línguas

Em espanhol se utiliza o nome Librero de Viejo e em inglês, Used bookstore. O princípio é o mesmo e o nome é comum apenas no Brasil. Em Portugal se utiliza Alfarrábio, isto é livros de antiquários. Bem, o Brasil possuí uma imensa população, infelizmente, ainda muito pouco leitora. E os sebos desenvolvem um importante papel na democratização do acesso ao livro. Eles não são apenas lugares de curiosos, colecionadores e pesquisadores. Porque uma parte leitora da população não tem acesso a uma renda que permita comprar um livro novo. Mas estes podem recorrer a ele como meio de leitura.

O sebo na expansão da cultura

Ele preenche uma lacuna de nossos espaços culturais porque oferecer livros a um preço mais módico e também guarda a história da circulação do livro e de seus frequentadores. O sebo, no Brasil, é muito mais que uma loja de produtos, é antes de tudo um centro cultural disponível para comprar e para vender livros. Uma visita, mesma que rápida, lhe colocará em contato com um mundo fascinante, impossível de encontrar em uma livraria ou mesmo numa biblioteca, sua diversidade bibliográfica nos conduz aos labirintos de inúmeras histórias ocultas.

É um achado afetivo também, porque o objeto do livro continua a servir mesmo depois de muito ser usado. Só que o mais importante é, há mensagens transmitidas por eles que não envelhecem, outras estão sempre em renovação esperando de um descobridor. Há muita histórias por trás de tudo, aos poucos contaremos,não se pode dar tudo que se tem de uma vez, é preciso destilar aos poucos esse álcool em que se pesa os livros.

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Quatrocentos Contra Um – A História do Comando Vermelho

Quatrocentos Contra Um

Autobiografia de William da Silva Lima narra a criação do Comando Vermelho e disseca o processo evolutivo do crime organizado dentro das prisões.

Quatrocentos contra um

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Por César Alves

Quatrocentos Contra Um é o nome do livro autobrigráfico de Wiliam da Silva Lima, que inspirou o filme de mesmo nome, estrelado por Daniel de Oliveira e dirigido por Caco Souza.

Estamos no Rio de Janeiro, em 1974, em plena ditadura militar quando, tanto presos políticos quanto assaltantes de banco comuns, eram enquadrados na Lei de Segurança Nacional e cumpriam pena no Presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande.

William fazia parte da massa carcerária e assistiu à chegada dos presos políticos. Foi um dos primeiros a perceber a solidariedade entre eles e a se dar conta de que juntos e organizados – ele e seus companheiros – poderiam obter melhores resultados de tratamento humanitário.

Contrariando a tese, de que os “comunistas” teriam ensinado técnicas de guerrilha aos criminosos, o depoimento de William deixa claro que a única colaboração foi a de abrir suas mentes para o conceito de coletividade.

Logo, começaram a se organizar em falanges internas – a organização, no início, era conhecida por Falange Vermelha – e, os que saíam, a promover a organização externa.

No início da década de 1980, o CV já infernizava a vida da Polícia Militar carioca, promovendo assaltos e fugas espetaculares.

A tomada dos morros e o domínio do tráfico de drogas são as etapas seguintes.

O título, 400 contra 1, remete ao cerco realizado por 400 policiais para capturar um único fugitivo, Zé Bigode, amigo de William e também um dos fundadores da organização.

Bigode resistiu por 12 horas, sendo morto pelos policiais ao final do confronto.

Serviço:

Livro: Quatrocentos Contra Um

Autor: William da Silva Lima

Editora: Labortexto

135 págs.

A Vida de James Brown – Biografia

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Ritmo, poesia e revolução

Chega às livrarias brasileiras A Vida de James Brown. Reportagem Biográfica de um dos nomes mais polêmicos da dobradinha música/política norte-americana do pós-guerra.

Por César Alves

 

Na segunda metade dos anos 60, James Brown já ostentava o título de “Irmão Numero Um do Soul” na América. Seu empenho e dedicação a uma carreira iniciada na década anterior renderam-lhe fama, fortuna e a legenda de “O homem que mais trabalha no showbizz”. Apesar disso, no mercado europeu sua musica ainda era o tesouro exclusivo dos DJs e mods mais descolados. Quando partiu para a Inglaterra para uma série de shows que deveriam estabelecer definitivamente sua carreira no velho mundo, um dos boatos que circulavam era o de que a viagem tinha outro objetivo: uma operação para mudança de sexo! Brown pretendia se submeter à cirurgia para assumir seu romance com seu parceiro de longa data Bobby Byrd, com quem pretendia se casar. É claro que a história era falsa! O interessante, porém, é saber que o responsável por arquitetar toda a trama e espalhar a fofoca nos bastidores do burburinho midiático da indústria musical, não era ninguém menos que o próprio James Brown! Sua lógica era a seguinte: Embora o mercado americano já estivesse ganho, durante sua ausência, um espertinho qualquer poderia aparecer e criar concorrência. Como não queria ninguém ciscando no seu quintal, era preciso manter seu nome em evidência enquanto estivesse fora. O boato escabroso foi sua estratégia para continuar em pauta.

A história é contada com detalhes no livro A vida de James Brown, biografia escrita pelo jornalista Geoff Brown que acaba de sair no Brasil pela Madras Editora. O episódio revela apenas uma das muitas facetas de um dos nomes mais importantes e, ao mesmo tempo, controversos da música popular norte-americana do pós-guerra.

Criador do funk e responsável por estabelecer novas regras no mercado musical – sua recusa em aceitar que um show deva se limitar a mera reprodução das músicas do disco está na raiz do que deu às apresentações ao vivo a característica de espetáculo –, para o bem e para o mal, James Brown influenciou tudo o que foi feito em musica pop depois dele. Se a obra musical tem aceitação e reconhecimento unânimes, tanto por parte do publico quanto dos especialistas, o homem divide opiniões. Da parte de seus músicos e amigos o sentimento parece um misto de admiração e rancor. Politicamente, tomou partido de causas duvidosas como apoiar a guerra do Vietnã e pedir votos para Richard Nixon, por exemplo. Isso, associado a sua boa relação com o governo, fizeram com que grupos radicais como os Black Panthers o encarassem como a encarnação de Pai Tomás. O que torna o lançamento especial é a forma como o autor refaz os passos que levaram a construção do mito no contexto histórico em que foram dados, sem tomar partido ou tecer teorias que justifiquem as atitudes de seu personagem.

De roubos de carros à conquista do mundo

O livro narra a trajetória de James Brown desde a adolescência errática entre Macon e Toccoa, na Georgia, quando o jovem vivia se equilibrando numa linha fina entre ser encarcerado e a conquista do mundo. Sua primeira passagem pela prisão por assalto a mão armada só não durou mais tempo devido à intervenção dos pais de Bobby Byrd, que assumiram a responsabilidade como tutores do garoto arredio e criador de caso.  Embora soubessem o quão hercúlea seria a missão, eles acreditavam no talento do parceiro musical de seu filho. Já nessa época, seu potencial era notado, tanto pelas pessoas que o cercavam quanto por ele mesmo o que, de certa forma, o atrapalhava. A arrogância, típica dos que têm consciência de seu valor, multiplicava em muito seu magnetismo para arrumar encrenca. São tempos difíceis já tendo na música o objetivo para a vida, dividindo-se entre ensaios e apresentações com o The Famous Flames, ao lado de Byrd, e cantar no coral da igreja. Mas, também de bicos, subempregos e o roubo e desmonte de carros para faturar um extra.

De seu primeiro sucesso com “Please, please, please” (1956) e a conquista do estrelato nas décadas de 50 e 60, passando pelo processo criativo que deu origem a alguns dos hits que entraram para a história e nosso imaginário como “Papa´s got a brand new bag”, “I got you (I feel good)”, “It´s a man´s man´s world”, “Get Up (I feel like being a) Sex Machine”, entre muitos outros, o livro traça um relato detalhado do músico de gênio difícil que amava a fama e suas vantagens, mas que também encarava as dificuldades em lidar com ela. Num dos trechos mais emocionantes, fala sobre o acidente aéreo que vitimou seu amigo na vida e rival nos palcos, Otis Redding juntamente com sua banda The Bar-Keys, em 1967. Abatido, Brown aceitou de pronto ao convite para ficar a frente entre os que conduziriam o caixão na cerimônia funerária. Chegando ao local, ficou chocado com a atitude dos fãs enlouquecidos que, mesmo num momento tão difícil, o cercaram, agarraram e chegaram a rasgar suas roupas, desesperados por algo de seu ídolo. Quando finalmente conseguiu se desvencilhar da multidão foi impedido de entrar pelos seguranças. Na confusão, tinha perdido sua credencial. Apesar de os seguranças saberem quem ele era, as ordens eram claras: para preservar a família, ninguém deveria entrar sem estar credenciado, não restando a Brown voltar para casa sem poder se despedir do amigo.

Negro e com orgulho

Não é exagero incluir o nome de James Brown entre os que mais fizeram pela emancipação da América negra. Consciente de sua negritude ergueu como poucos a bandeira do orgulho negro em entrevistas e composições que levantavam o moral dos seus e se tornaram hinos na luta pelos direitos civis, como “(Say it loud) I´m Black and proud!”. Defendia que a revolução da América negra estava na educação, não nas armas. Seu carisma e poder de persuasão sobre as comunidades negras faziam dele quase tão influente quanto o Doutor Martin Luther King. E é justamente com o assassinato de King que tal característica fica evidente. Se as ruas pareciam barris de pólvora naqueles dias turbulentos, a fagulha que provocou a explosão foi fornecida no fatídico 4 de abril de 1968, quando o pastor e ativista foi alvejado por tiros num atentado covarde. Na mesma data, o musico se apresentaria em Boston para um show muito aguardado. Cancelar o evento poderia acirrar ainda mais os ânimos. A solução encontrada foi exibi-lo ao vivo pela TV, num acordo financeiro entre a prefeitura, James Brown e os organizadores. Como ninguém perderia a oportunidade de assistir ao Mr. Dynamite da poltrona de casa, Boston foi a única cidade a não registrar tumultos naquela noite. No dia seguinte, representantes do governo estavam a caça de Brown para que gravasse vídeos que foram veiculados nas TVs do país nos quais pedia paciência e reforçava seu poder conciliador. Embora bem explorado aqui, o episódio é tão importante que uma leitura de O dia em que James Brown salvou a pátria, de James Sullivan, lançado aqui pela Zahar Editores, serve como complemento.

Embora o título brasileiro possa sugerir – única falha da editora que deveria ter mantido o original Black and Proud – The life of James Brown –, não se trata de uma biografia com detalhes da vida pessoal do personagem retratado. Jornalista experimentado, há vinte anos Geoff Brown escreve sobre musica. Especialista em Soul e R´n´B, foi editor da revista britânica Black Music e colaborador de periódicos importantes como a Mojo Magazine. Apoiado por sua experiência e profunda pesquisa, concentrou seu trabalho sobre James Brown na musica. Estão aqui curiosidades de estúdio, conversas de bastidores de turnês e os processos envolvendo direitos autorais e contendas judiciais com gravadoras. Tudo analisado no contexto histórico dos acontecimentos e ancorado por depoimentos de personagens que conviveram com Brown no calor do momento, principalmente os integrantes de suas bandas mais notórias, o The Famous Flames e os lendários The JB´s. Para completar um rico material iconográfico, incluindo fotos poucas vezes vistas, e uma discografia dos discos essenciais de James Brown e seus associados. Também autor de Michael Jackson – Uma vida na musica, lançado pela Madras, em seu livro, Geoff Brown faz um relato honesto e fiel da carreira de Mr. Dynamite.

 

 

Amores Modernos – Livro

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A Vida Amorosa dos Artistas

Cinco casais, formados por artistas consagrados e notórios em suas épocas, cujas relações abertas desafiaram as convenções matrimoniais vigentes e revolucionaram as artes e comportamento, são estudados em livro.

Por César Alves

 

Lou-Andreas Salomé, não dava muito crédito ao talento de seu jovem amante e aspirante a poeta, quando – aos 36 anos, casada e com o consentimento do marido – deu início ao caso com o ainda desconhecido e muito mais jovem, Rainer Maria Rilke. Na época a bela, inteligente e libertária Salomé já havia sido a terceira parte de uma tríade sexual e amorosa, cujos outros dois amantes célebres eram o filósofo Friedrich Nietzsche e Paul Reé e escandalizava a sociedade de sua época com seus escritos e idéias de mulher a frente de seu tempo – rezam as más línguas que o filósofo do martelo teria saído da relação aos pedaços, Salomé foi a Lilith que destroçou o coração do “homem que matou Deus”.

Mais madura e com uma carreira e trajetória definida, mesmo Salomé, talvez não pudesse imaginar que aquele relacionamento iria ultrapassar o ardor da alcova, evoluindo para uma parceria amorosa e criativa, num matrimônio que refletiria nas obras de ambos. Um casamento que desafiaria as convenções. Artisticamente, íntimo e limitado a cumplicidade do casal, e, do ponto de vista sexual, aberto a diversos parceiros, com o conhecimento e consentimento de ambos.

Esta e outras histórias de cinco casais avant-la-lettré, todos formados por artistas e intelectuais respeitados, cujos relacionamentos desafiaram as convenções e puseram em dúvida a sacralidade do casamento, fazem parte do fascinante e delicioso Amores Modernos, livro de Daniel Bullen que acaba de chegar às livrarias brasileiras pela editora Seoman.

A obra estuda as relações de Lou Salomé e Rainer Rilke; Georgia O´Kieffe e Alfred Ztieglitz; Frida Khalo e Digo Rivera; Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir e Henry Miller e Anais Nin, analisando o reflexo que a maneira por eles escolhida para conduzir suas vidas, tanto afetiva, quanto íntima, teve sobre suas obras e até que ponto tais artistas e seus modos de vida estavam à frente de seu tempo e em sintonia com o comportamento amoroso de casais contemporâneos – principalmente nos casos de Sartre e Beauvoir e Henry Miller e Anais Nin, cujas relações foram inspiração para muitos dos casais surgidos pós-Revolução Sexual e Contracultura.

O autor diz que o ponto de partida para seu estudo tem origem na diversidade de acordos, cumplicidades, limites e formas estabelecidas por casais contemporâneos para conduzir suas relações amorosas que atualmente, mais do que nunca, se distancia do formato familiar tradicional do matrimônio civil e religioso, sob as bênçãos dos pais de ambos os cônjuges condenados a amarem-se até a morte, “na saúde e na doença; na alegria e na tristeza”.

Bom, nos dias em que não é mais surpresa para ninguém o declínio do casamento convencional, como instituição sagrada. O próprio autor revela que o livro teve início mais por uma questão pessoal do que por motivação acadêmica. Tentando entender seu próprio relacionamento, a princípio, teria se voltado para a vida destes artistas mais por uma questão pessoal do que acadêmica, confessa o autor. Foi quando percebeu que o material biográfico oficial sobre tais nomes, no que se referia a seus relacionamentos, perdia-se em clichês como o do infant terrible mulherengo e a esposa que, incapaz de lidar com os relacionamentos extraconjugais de seu homem, busca em outras aventuras uma compensação; ou a mesma história do ponto de vista feminino, substituindo o infant terrible por uma femme fatale, no caso. Quando muito, recorriam a justificativas como “eram artistas, cujos modos de vida excêntricos eram reflexos de suas condições”.

O autor preferiu explorar o quanto a maneira como tais casais levaram seus relacionamentos teve impacto na concepção da obra de ambas as partes. Daí a escolha desses nomes; todos eles, casais em que ambos eram artistas consagrados, mantiveram seus relacionamentos abertos e, embora tenham convivido com as conseqüências e desentendimentos, comuns em qualquer forma de relacionamentos – principalmente, quando abertos –, mantiveram-se duradouros.

Apesar do título escolhido para a tradução brasileira não dizer muita coisa – teria sido melhor traduzir literalmente o título original, The Love Lives of The Artists –, Amores Modernos, no mínimo, contribui com as biografias pessoais e criativas de seus personagens, através da perspectiva de seus relacionamentos.

 

Serviço:

Título: Amores Modernos.

Autor: Daniel Bullen.

Editora: Seoman.

304 páginas.

 

Esquina Cultural

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Esquina Cultural

 

Qualquer um que caminhava pelas ruas do Centro de São Paulo em meados dos anos 80 e 90 e tivesse o hábito de garimpar livros, deve se lembrar da imensa oferta de sebos que ofereciam títulos bons e baratos, desde que o cliente estivesse disposto a se dedicar ao garimpo.

Com o passar dos anos, o Centro se tornou a verdadeira Meca para os amantes de livros e cultores do alfarrábio, o que acabou por tornar o mercado de sebos e livros usados mais um grande negócio do que uma paixão comercial por venda e troca livresca, chegando ao ponto de alguns sebos terem preços tão altos quanto os das livrarias oficiais.

Para os saudosos daqueles tempos, eis que surge uma luz no final do túnel. Localizado nas proximidades da Praça da Sé, mais precisamente na rua Quintino Bocaiúva, o Sebo Esquina Cultural surge com uma proposta Old School de comercializar e privilegiar o garimpo livresco. Suas prateleiras estão carregadas com um vasto acervo de livros, LPs, CDs e revistas à preços acessíveis – à partir de R$ 3,00 e promoções como três livros a 5 ou 10 reais.

E não se tratam de títulos pouco procurados, mas obras clássicas de autores como Oscar Wilde, Guimarães Rosa, Albert Camus, Jorge Amado, J. J. Veiga, entre outros, e títulos nas áreas de história, filosófica, arte, teatro, musica e demais seguimentos à partir de 5 reais; além de títulos da Coleção Primeiros Passos a 12 reais, coleção Os Pensadores por 15 reais e Tudo é História por 10 reais cada.

Vale à pena uma passada por lá…

 

Serviço:

Sebo Esquina Cultural

Rua Quintino Bocaiuva, 309 – Sé – São Paulo

Telefone: (11) 3101-18811 e-mail: [email protected]

 

 

 

Biografias de Rock – Joy Division, The Cure e Kid Vinil

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Linhas de baixo, riffs de palavras e livros de musica

 

Das memórias de Peter Hook sobre os dias do Joy Division, passando pelo The Cure, ao nascimento da New Wave brasileira, na biografia de um de seus artífices, Kid Vinil, as historias do pós-punk invadem nossas livrarias com o lançamento de ótimos títulos.

Por César Alves

 

Desde criança, sempre gostei de musica e sempre gostei de histórias, ficcionais ou não e independente da forma como eram contadas. Sendo assim, logo que comecei a ter algum dinheiro, através de bicos e, principalmente, quando passei a ter um salário – miserável, diga-se de passagem –, como Office-boy, por volta dos 14 anos, não é de se estranhar que boa parte de meus gastos pessoais tenham sido na aquisição de discos e livros.

A conversa fiada autobiográfica não é de toda sem sentido. Serve para ilustrar o motivo da empolgação do amigo que vos escreve em relação ao verdadeiro tema deste texto: os mais do que bem vindos livros Unknown Plesures – Joy Division, de Peter Hook, Nunca é o Bastante – A História do The Cure, de Jeff Apter, e Kid Vinil – Um Herói do Brasil, de Ricardo Gozzi e Duca Belintani, das editoras Seoman e Edições Ideal – a segunda, responsável pela biografia de Ian Curtis, também citada aqui.

Sobre jovens e o peso em seus ombros

Poucas bandas na história do rock podem ser comparadas ao Velvet Underground no que diz respeito ao culto e o impacto de sua influência sobre as gerações que as seguiram. Dentre elas se inscreve o Joy Division.

Formado em Manchester por quatro garotos da classe operária sob o nome Warsaw – referência a canção Warszawa, faixa do cultuado álbum Low, da não menos cultuada trilogia de Berlim de David Bowie e Brian Eno –, o Joy Division possui tudo o que é preciso para justificar o culto em torno de sua historia: uma produção tão curta quanto impactante, formada por dois álbuns que se tornaram clássicos, Unknown Plesures (1979) e Closer (1980); originalidade musical e lírica marcantes, atitude e, principalmente, uma biografia marcada pela tragédia.

Eram os dias caóticos e sombrios da segunda metade da década de 70 e, influenciados pela fúria sonora verborrágica do punk rock, os amigos de escola Bernard Summer e Peter Hook, respectivamente guitarra e baixo, se uniram ao baterista Stephen Morris e ao cantor e letrista Ian Curtis para dar início à sua própria banda. É justamente na figura de Curtis que se apóia o dado trágico citado no parágrafo anterior.

Suas letras intensas e carregadas de poética e urgência niilista, associadas à sonoridade sombria e clima tenso, marcado, principalmente, pela produção e Martin Hannett, foram essenciais para criar a aura glacial comumente associada à banda. Seu suicídio, pouco antes de sua banda embarcar para uma turnê pelos Estados Unidos, o que poderia dar início a uma promissora carreira internacional, foi mais do que suficiente para completar o mito – não totalmente desprovido de verdade – do gênio atormentado e deprimido que antecipa o outono de sua existência no auge de sua primavera criativa e torná-lo, junto com sua banda, alvo de inúmeros livros e reportagens – algumas boas, outras nem tanto –, explorando tal imagem.

É justamente por confirmar e, ao mesmo tempo, desmitificar tais características – que vieram se tornar verdadeiros clichês, quando se fala de Ian Curtis e do Joy Division –, mas, principalmente, por lançar novos pontos de vista sobre sua trajetória que as duas obras disponíveis agora nas livrarias brasileiras são especiais.

Lançado recentemente pela editora Seoman, o primeiro, Unknown Pleasures – Joy Division, escrito pelo baixista da banda e, mais tarde, junto com os outros sobreviventes, fundador do New Order, Peter Hook, o livro oferece uma visão interna sobre a história, do ponto de vista de quem participou dela desde o início.

Na condução das quatro cordas de seu contrabaixo, passando por palcos de inferninhos, estúdios de gravação e bastidores de shows, Hook protagonizou e ajudou a construir a historia que narra, de forma honesta e leitura agradável, de seu ponto de vista privilegiado. Embora, humildemente, o baixista não se considere o dono da verdade, como diz em vários momentos, sua versão dos fatos é um relato detalhado e apaixonado daqueles dias de quem esteve e consegue colocar o leitor no olho do furacão que foi a trajetória de sua banda. É como um garoto em uma banda que Hook conta sua história sobre quatro amigos conquistando seu espaço no explosivo nos subterrâneos do rock europeu, com descrições detalhadas de cada uma das apresentações, momentos engraçados e até escatológicos, uso abusivo de álcool e drogas, mas principalmente amizade.

Já Tocando à Distância, de Deborah Curtis, apresenta uma visão mais íntima e pessoal, focada na persona de Ian Curtis, com quem a autora foi casada e teve uma filha. Publicado no Brasil ano passado, o livro é considerado item essencial para compreender seu biografado na intimidade. Narrativa intensa e comovente, contém imagens da vida familiar de Ian Curtis, além de lançar luz sobre os motivos que o levaram a cometer o ato final que marca sua trajetória – um coração dividido entre as glórias e os excessos de um rock star e o pai de família, entre o amor pela esposa e a amante e, para piorar, a saúde comprometida pela epilepsia. O livro foi a base para a cinebiografia, Control, de Anton Corbjin,e traz prefácios de Jon Savage e Kid Vinil. A publicação é da Edições Ideal.

Jumping Someone Else´s Train

Pela mesma editora, acaba de sair também Nunca é o Bastante – A História do The Cure.

A historia do Cure é como a de diversas bandas ao redor do mundo. Começa com garotos inventando formas para vencer o tédio na cidade de Crawley, Sussex, Inglaterra, até alcançar o estrelato como uma das principais bandas do pop britânico da década de 80.

Falar sobre o The Cure é falar sobre Robert Smith, líder e único integrante permanente em todas as diversas formações que a banda teve até os dias de hoje. Apaixonado por rock desde que, ainda na infância, teve contato com os discos dos Beatles e viu uma apresentação de Jimi Hendrix pela tevê, foi através de David Bowie que Smith aprendeu a importância da imagem para a construção estética de um artista. Lição que seguiria à risca desde o início da banda que formaria com os amigos, sob a inspiração do Punk e do pós-punk em meados dos anos 70.

Também autor de uma biografia sobre os Red Hot Chilli Peppers, o australiano Jeff Apter fez uma série de entrevistas com os integrantes do Cure e seu líder para construir um relato detalhado de sua história em suas diversas fases, disco a disco, turnê a turnê, incluindo suas passagens pelo Brasil, resultando numa obra, no mínimo, indispensável, para fãs ou não.

O Herói do Brasil

“Na hora do almoço a minha fome é de leão. Abro a marmita e o que vejo, feijão. Chega o fim do mês, com toda aquele euforia. Todos ganham bem e eu aquela micharia”. Nos anos de minha primeira infância, assim como todos os garotos da época, sabia cantar de cor a letra desse sucesso das rádios e programas de auditório, mas só alguns anos depois, quando comecei a trabalhar – e aqui está o link com o parágrafo que abre este texto, é que fui entender de verdade do que falava a musica interpretada por Kid Vinil, à frente de seu Magazine.

Não só como cantor do Magazine, mas também como líder dos Heróis do Brasil, Antonio Carlos Senefonte, o Kid Vinil, fez sucesso da década de oitenta com outros sucessos, como Tic, Tic, Nervoso, mas seu papel na construção do rock brasileiro de sua geração e para as gerações vindouras vai muito além disso, como o leitor pode conferir na biografia autorizada Kid Vinil, O Herói do Brasil, de Ricardo Gozzi e Duca Belintani.

De auxiliar de Departamento Pessoal a executivo da gravadora Continental, passando pelo início do punk brasileiro, como vocalista do Verminose, os sucessos nacionais citados acima e o processo hercúleo para trazer aos ouvintes e fãs de musica o que se passava no universo da musica pop internacional, tanto como radialista como apresentador de tevê, a vida de Kid Vinil, que se confunde com a do próprio pop brasileiro, é aqui narrada de forma leve e divertida, contando com depoimento do próprio biografado, familiares, parceiros e gente como Fabio Massari, Fernando Naporano e outros dos que o ajudaram a construir essa historia.

 

Serviço:

 

Livros:

Título: Unknown Pleasures – Joy Division

Autor: Peter Hook

Editora: Seoman

392 páginas

 

Título: Tocando a Distância

Autor: Deborah Curtis

Editora: Edições Ideal

328 páginas

 

Título: Nunca é o Bastante – A História do The Cure

Autor: Jeff Apter

Editora: Edições Ideal

336 páginas

 

Título: Kid Vinil – O Herói do Brasil

Autor: Ricardo Gozzi e Duca Belintani

Editora Edições Ideal

160 páginas

Eric Clapton – A Biografia

Eric Clapton – A Biografia

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Eric Clapton – A Biografia

 

Em meados da década de 60 era comum se deparar com a frase “Clapton is GOD” pichada nos muros da velha Inglaterra. Em plena Swingin´ London, quando as lojas da Carnaby Street e King´s Road eram o centro do universo, se os Beatles eram dignos do título de reis do mundo pop, Eric Clapton ostentava com orgulho a coroa de Rei da Guitarra Elétrica.

Na época, a frase se referia a seus feitos a frente do Cream e depois do Blind Faith, mas, anos antes, o guitarrista já havia dado provas de sua importância impar como reinventor de seu instrumento, desde os 17, quando integrou a banda The Rooster, e um ano depois como o primeiro de uma série de grandes guitarristas a empunhar o instrumento no cultuado The Yardbirds.

Amigo do musico, o autor, Christopher Simon Sykes, teve acesso a horas de conversas com Clapton nas quais o artista se abriu sem restrições a temas e passagens de sua jornada pessoal e profissional, que resultaram neste Eric Clapton – A Biografia. Um dos mais intensos e aprofundados trabalhos sobre a vida e a época de um dos mais influentes músicos do século XX.