Sebo

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Guia de Sebos

O nome “sebo” vem exatamente do que o leitor pode estar pensando. Substância gordurosa, e está diretamente ligada à resina utilizada na fabricação velas. Única forma de conseguir luminosidade para leitura, à noite, antes da invenção da Luz Elétrica.

Não havia eletricidade

Imagine-se num período em que não havia luz elétrica mas você, ávido leitor precisava da sua leitura até altas horas. Então você acendia uma vela, mas elas não eram feita da atual parafina e sim de gordura de animais. Um exemplo é a feita de baleia. A atenção à leitura permitia sujar os livros, esses blocos de papel encadernados ficavam ensebados. Essa é uma possibilidade já que os sebos são livrarias que vendem livros de segunda mão.

Outras possibilidades

Outras possibilidades também plausíveis:

Um livro tão lido e passado de mão e mão.

Os anos o deixa com várias marcas de mãos do que o manuseou, acabou ensebado e foi parar numa loja cheia de livros.

Mas também tem os muitos manuseados por diversas mãos, o Sebo, então ficou sendo o nome desse tipo de livraria .

Outras línguas

Em espanhol se utiliza o nome Librero de Viejo e em inglês, Used bookstore. O princípio é o mesmo e o nome é comum apenas no Brasil. Em Portugal se utiliza Alfarrábio, isto é livros de antiquários. Bem, o Brasil possuí uma imensa população, infelizmente, ainda muito pouco leitora. E os sebos desenvolvem um importante papel na democratização do acesso ao livro. Eles não são apenas lugares de curiosos, colecionadores e pesquisadores. Porque uma parte leitora da população não tem acesso a uma renda que permita comprar um livro novo. Mas estes podem recorrer a ele como meio de leitura.

O sebo na expansão da cultura

Ele preenche uma lacuna de nossos espaços culturais porque oferecer livros a um preço mais módico e também guarda a história da circulação do livro e de seus frequentadores. O sebo, no Brasil, é muito mais que uma loja de produtos, é antes de tudo um centro cultural disponível para comprar e para vender livros. Uma visita, mesma que rápida, lhe colocará em contato com um mundo fascinante, impossível de encontrar em uma livraria ou mesmo numa biblioteca, sua diversidade bibliográfica nos conduz aos labirintos de inúmeras histórias ocultas.

É um achado afetivo também, porque o objeto do livro continua a servir mesmo depois de muito ser usado. Só que o mais importante é, há mensagens transmitidas por eles que não envelhecem, outras estão sempre em renovação esperando de um descobridor. Há muita histórias por trás de tudo, aos poucos contaremos,não se pode dar tudo que se tem de uma vez, é preciso destilar aos poucos esse álcool em que se pesa os livros.

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A Vida de James Brown – Biografia

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Ritmo, poesia e revolução

Chega às livrarias brasileiras A Vida de James Brown. Reportagem Biográfica de um dos nomes mais polêmicos da dobradinha música/política norte-americana do pós-guerra.

Por César Alves

 

Na segunda metade dos anos 60, James Brown já ostentava o título de “Irmão Numero Um do Soul” na América. Seu empenho e dedicação a uma carreira iniciada na década anterior renderam-lhe fama, fortuna e a legenda de “O homem que mais trabalha no showbizz”. Apesar disso, no mercado europeu sua musica ainda era o tesouro exclusivo dos DJs e mods mais descolados. Quando partiu para a Inglaterra para uma série de shows que deveriam estabelecer definitivamente sua carreira no velho mundo, um dos boatos que circulavam era o de que a viagem tinha outro objetivo: uma operação para mudança de sexo! Brown pretendia se submeter à cirurgia para assumir seu romance com seu parceiro de longa data Bobby Byrd, com quem pretendia se casar. É claro que a história era falsa! O interessante, porém, é saber que o responsável por arquitetar toda a trama e espalhar a fofoca nos bastidores do burburinho midiático da indústria musical, não era ninguém menos que o próprio James Brown! Sua lógica era a seguinte: Embora o mercado americano já estivesse ganho, durante sua ausência, um espertinho qualquer poderia aparecer e criar concorrência. Como não queria ninguém ciscando no seu quintal, era preciso manter seu nome em evidência enquanto estivesse fora. O boato escabroso foi sua estratégia para continuar em pauta.

A história é contada com detalhes no livro A vida de James Brown, biografia escrita pelo jornalista Geoff Brown que acaba de sair no Brasil pela Madras Editora. O episódio revela apenas uma das muitas facetas de um dos nomes mais importantes e, ao mesmo tempo, controversos da música popular norte-americana do pós-guerra.

Criador do funk e responsável por estabelecer novas regras no mercado musical – sua recusa em aceitar que um show deva se limitar a mera reprodução das músicas do disco está na raiz do que deu às apresentações ao vivo a característica de espetáculo –, para o bem e para o mal, James Brown influenciou tudo o que foi feito em musica pop depois dele. Se a obra musical tem aceitação e reconhecimento unânimes, tanto por parte do publico quanto dos especialistas, o homem divide opiniões. Da parte de seus músicos e amigos o sentimento parece um misto de admiração e rancor. Politicamente, tomou partido de causas duvidosas como apoiar a guerra do Vietnã e pedir votos para Richard Nixon, por exemplo. Isso, associado a sua boa relação com o governo, fizeram com que grupos radicais como os Black Panthers o encarassem como a encarnação de Pai Tomás. O que torna o lançamento especial é a forma como o autor refaz os passos que levaram a construção do mito no contexto histórico em que foram dados, sem tomar partido ou tecer teorias que justifiquem as atitudes de seu personagem.

De roubos de carros à conquista do mundo

O livro narra a trajetória de James Brown desde a adolescência errática entre Macon e Toccoa, na Georgia, quando o jovem vivia se equilibrando numa linha fina entre ser encarcerado e a conquista do mundo. Sua primeira passagem pela prisão por assalto a mão armada só não durou mais tempo devido à intervenção dos pais de Bobby Byrd, que assumiram a responsabilidade como tutores do garoto arredio e criador de caso.  Embora soubessem o quão hercúlea seria a missão, eles acreditavam no talento do parceiro musical de seu filho. Já nessa época, seu potencial era notado, tanto pelas pessoas que o cercavam quanto por ele mesmo o que, de certa forma, o atrapalhava. A arrogância, típica dos que têm consciência de seu valor, multiplicava em muito seu magnetismo para arrumar encrenca. São tempos difíceis já tendo na música o objetivo para a vida, dividindo-se entre ensaios e apresentações com o The Famous Flames, ao lado de Byrd, e cantar no coral da igreja. Mas, também de bicos, subempregos e o roubo e desmonte de carros para faturar um extra.

De seu primeiro sucesso com “Please, please, please” (1956) e a conquista do estrelato nas décadas de 50 e 60, passando pelo processo criativo que deu origem a alguns dos hits que entraram para a história e nosso imaginário como “Papa´s got a brand new bag”, “I got you (I feel good)”, “It´s a man´s man´s world”, “Get Up (I feel like being a) Sex Machine”, entre muitos outros, o livro traça um relato detalhado do músico de gênio difícil que amava a fama e suas vantagens, mas que também encarava as dificuldades em lidar com ela. Num dos trechos mais emocionantes, fala sobre o acidente aéreo que vitimou seu amigo na vida e rival nos palcos, Otis Redding juntamente com sua banda The Bar-Keys, em 1967. Abatido, Brown aceitou de pronto ao convite para ficar a frente entre os que conduziriam o caixão na cerimônia funerária. Chegando ao local, ficou chocado com a atitude dos fãs enlouquecidos que, mesmo num momento tão difícil, o cercaram, agarraram e chegaram a rasgar suas roupas, desesperados por algo de seu ídolo. Quando finalmente conseguiu se desvencilhar da multidão foi impedido de entrar pelos seguranças. Na confusão, tinha perdido sua credencial. Apesar de os seguranças saberem quem ele era, as ordens eram claras: para preservar a família, ninguém deveria entrar sem estar credenciado, não restando a Brown voltar para casa sem poder se despedir do amigo.

Negro e com orgulho

Não é exagero incluir o nome de James Brown entre os que mais fizeram pela emancipação da América negra. Consciente de sua negritude ergueu como poucos a bandeira do orgulho negro em entrevistas e composições que levantavam o moral dos seus e se tornaram hinos na luta pelos direitos civis, como “(Say it loud) I´m Black and proud!”. Defendia que a revolução da América negra estava na educação, não nas armas. Seu carisma e poder de persuasão sobre as comunidades negras faziam dele quase tão influente quanto o Doutor Martin Luther King. E é justamente com o assassinato de King que tal característica fica evidente. Se as ruas pareciam barris de pólvora naqueles dias turbulentos, a fagulha que provocou a explosão foi fornecida no fatídico 4 de abril de 1968, quando o pastor e ativista foi alvejado por tiros num atentado covarde. Na mesma data, o musico se apresentaria em Boston para um show muito aguardado. Cancelar o evento poderia acirrar ainda mais os ânimos. A solução encontrada foi exibi-lo ao vivo pela TV, num acordo financeiro entre a prefeitura, James Brown e os organizadores. Como ninguém perderia a oportunidade de assistir ao Mr. Dynamite da poltrona de casa, Boston foi a única cidade a não registrar tumultos naquela noite. No dia seguinte, representantes do governo estavam a caça de Brown para que gravasse vídeos que foram veiculados nas TVs do país nos quais pedia paciência e reforçava seu poder conciliador. Embora bem explorado aqui, o episódio é tão importante que uma leitura de O dia em que James Brown salvou a pátria, de James Sullivan, lançado aqui pela Zahar Editores, serve como complemento.

Embora o título brasileiro possa sugerir – única falha da editora que deveria ter mantido o original Black and Proud – The life of James Brown –, não se trata de uma biografia com detalhes da vida pessoal do personagem retratado. Jornalista experimentado, há vinte anos Geoff Brown escreve sobre musica. Especialista em Soul e R´n´B, foi editor da revista britânica Black Music e colaborador de periódicos importantes como a Mojo Magazine. Apoiado por sua experiência e profunda pesquisa, concentrou seu trabalho sobre James Brown na musica. Estão aqui curiosidades de estúdio, conversas de bastidores de turnês e os processos envolvendo direitos autorais e contendas judiciais com gravadoras. Tudo analisado no contexto histórico dos acontecimentos e ancorado por depoimentos de personagens que conviveram com Brown no calor do momento, principalmente os integrantes de suas bandas mais notórias, o The Famous Flames e os lendários The JB´s. Para completar um rico material iconográfico, incluindo fotos poucas vezes vistas, e uma discografia dos discos essenciais de James Brown e seus associados. Também autor de Michael Jackson – Uma vida na musica, lançado pela Madras, em seu livro, Geoff Brown faz um relato honesto e fiel da carreira de Mr. Dynamite.

 

 

Cantatas – J. S. Bach

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Compêndio do êxtase divino

Com acabamento gráfico belíssimo e pesquisa digna de sua importância, finalmente chega às nossas livrarias a primeira edição brasileira das Cantatas de J. S. Bach, de Alfred Dürr.

Por César Alves

 

Segundo Lewis Thomas (1913-1993), “musica é nosso esforço para explicar a nós mesmos o funcionamento de nosso cérebro”. O argumento tenta explicar o êxtase experimentado – mesmo em se tratando dos ouvintes não familiarizados com música erudita – durante a execução das composições de J. Sebastian Bach. Segundo o médico, biólogo, escritor e poeta, entre as diversas atividades que exerceu, “quando ouvimos Bach, ouvimos a manifestação da própria mente humana”.

Sendo o cérebro humano morada de nosso sentido de existência, a mente – que também pode ser traduzida por alma, conforme o gosto do leitor – é o templo filosófico intimo e interior do humano como indivíduo, onde a razão científica e a graça religiosa oram juntas e, na musica – seja sacra ou profana –, mesmo os mais racionais dos materialistas, entre os homens, entram em comunhão com o que talvez não encontre uma tradução melhor além de divino. Para Lewis, J. S. Bach não apenas comunica-nos a nós mesmos como indivíduos, como também, dentre todos os grandes compositores da história, foi quem melhor traduziu nossa civilização como espírito coletivo.

Leigo que sou – há gente muito mais gabaritada do que eu para explanar sobre Lewis Thomas e J. S. Bach –, minha interpretação pode ser um disparate pretensioso ou quase uma ofensa aos argumentos de Lewis em defesa de seu compositor favorito. Embora não seja de toda sem sentido.

Conta-se que, certa vez, ao ser questionado sobre que mensagem ele enviaria a uma possível civilização, distante no tempo e no espaço, para exemplificar o que a raça humana tinha de mais gracioso e belo, sem pestanejar, teria respondido: “Eu enviaria toda a obra de Bach”. Sua sugestão foi acatada e, em 1977, junto com a Voyager 1 – atualmente o objeto de fabricação humana mais distante a vagar no universo –, seguiu um disco dourado que deveria apresentar nossa espécie a possíveis outras civilizações alienígenas, incluindo o compositor das peças que compõem Cantatas, livro assinado pelo musicólogo Alfred Dürr (1918-2011), que finalmente ganha edição brasileira graças ao excelente projeto da editora da Universidade Sagrado Coração (Edusc).

Publicado originalmente em 1971, As Cantatas de J. S. Bach, desde o início, atraiu a atenção não só de especialistas e músicos eruditos, como também do grande público. Fruto de anos de dedicação meticulosa de seu autor, a obra reúne parte considerável da produção do maior compositor alemão do período Barroco.

Considerado um dos maiores especialistas na obra do autor de peças inconfundíveis para qualquer um que possua um aparelho auditivo – tanto profundos conhecedores quanto leigos –, de Jesus Alegria dos Homens e Tocata em Ré Menor – ainda há teorias conspiratórias que põem em dúvida Bach como verdadeiro autor da última, é bom lembrar –, o berlinense Alfred Dürr debruçou-se sobre o tema de forma aprofundada, resultando num trabalho ainda inigualável e estudo indispensável para musicólogos, músicos, admiradores da musica clássica e erudita, mas nem por isso, incompreensível para leigos.

Obra de valor incontestável, a versão brasileira que acaba de ser lançada, não foi missão das mais fáceis e demandou dedicação apaixonada e trabalho exaustivo de todos os envolvidos. A idéia de traduzir o livro de Dürr surgiu em 2002, mas o projeto ficou parado até 2010 e, entre aprovação do projeto pela Lei Rouanet, captação de verbas, revisões, formatação estética e adaptação, o mais fiel possível, do original em alemão para o português, tendo como objetivo único nada abaixo da perfeição, até que o calhamaço de cerca de 1.400 páginas chegasse até os leitores brasileiros, representou uma verdadeira Via Sacra. O resultado – e o leitor pode conferir por conta própria –, certamente, valeu a pena. A belíssima edição da Edusc, desde já, merece lugar de destaque entre os melhores lançamentos do ano.

Considerado um dos maiores monumentos da musica ocidental, o conjunto das Cantatas de Bach está diretamente ligado ao legado luterano. Durante sua vida, J. S. Bach compôs mais de mil peças musicais, buscando inspiração e apropriando-se dos mais diversos gêneros musicais da época, do folclórico ao religioso, de temas sacros ao materialismo profano, mais de dois terços de sua produção, dedicado a Igreja Luterana.

Na verdade, não há como separar Bach do perpetrador das Reformas, Martinho Lutero, apesar do quase um século e meio que separam o nascimento do primeiro, depois da morte do segundo. Também musico, foi Lutero quem redefiniu o papel do canto nas congregações cristãs, até aqui obrigatoriamente em latim ou grego, ao permitir a composição de cânticos na língua local para que fossem compreendidos pelos fies das igrejas, além de fazer a primeira tradução para o alemão do texto da Bíblia – o que lhe valeria a excomunhão.

Gênio precoce, aos 14 anos, J. S. Bach compôs sua Cantata Número 4, justamente inspirada no cântico Christ Lag In Tades Bonden (Cristo Está nos Domínios da Morte), composto por Lutero.

Tido como o maior nome do Barroco Alemão e Cânone Maior da Musica Ocidental, pode parecer estranho que Bach não tenha gozado de grande fama em vida. Era pouco conhecido fora de seu país e, para se ter uma idéia, quando veio a falecer, aos 65 anos, em 1750, sequer foi considerado importante para ter uma lápide com seu nome, ao ponto de ser preciso escavar cerca de 47 covas, em 1894, para encontrar seus restos que, desde 1950, descansam na Igreja Thomaskirche, em Leipzig, à qual dedicou sua vida.

 

 

Serviço:

As Cantatas de J.S. Bach

Autor: Alfred Dürr

Editora: Edusc

1.400 páginas

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Esquina Cultural

 

Qualquer um que caminhava pelas ruas do Centro de São Paulo em meados dos anos 80 e 90 e tivesse o hábito de garimpar livros, deve se lembrar da imensa oferta de sebos que ofereciam títulos bons e baratos, desde que o cliente estivesse disposto a se dedicar ao garimpo.

Com o passar dos anos, o Centro se tornou a verdadeira Meca para os amantes de livros e cultores do alfarrábio, o que acabou por tornar o mercado de sebos e livros usados mais um grande negócio do que uma paixão comercial por venda e troca livresca, chegando ao ponto de alguns sebos terem preços tão altos quanto os das livrarias oficiais.

Para os saudosos daqueles tempos, eis que surge uma luz no final do túnel. Localizado nas proximidades da Praça da Sé, mais precisamente na rua Quintino Bocaiúva, o Sebo Esquina Cultural surge com uma proposta Old School de comercializar e privilegiar o garimpo livresco. Suas prateleiras estão carregadas com um vasto acervo de livros, LPs, CDs e revistas à preços acessíveis – à partir de R$ 3,00 e promoções como três livros a 5 ou 10 reais.

E não se tratam de títulos pouco procurados, mas obras clássicas de autores como Oscar Wilde, Guimarães Rosa, Albert Camus, Jorge Amado, J. J. Veiga, entre outros, e títulos nas áreas de história, filosófica, arte, teatro, musica e demais seguimentos à partir de 5 reais; além de títulos da Coleção Primeiros Passos a 12 reais, coleção Os Pensadores por 15 reais e Tudo é História por 10 reais cada.

Vale à pena uma passada por lá…

 

Serviço:

Sebo Esquina Cultural

Rua Quintino Bocaiuva, 309 – Sé – São Paulo

Telefone: (11) 3101-18811 e-mail: [email protected]